domingo, 15 de março de 2015

Unconciousness



01. Unconciousness 1
02. Unconciousness 2
03. Unconciousness 3




Quando é trazida a mim a porta de passagem, já semi-aberta, a sinto tão leve se aproximando e sinto esses braços tão soltos tentando me alcançar que me dá preguiça de tentar alcançá-los. Pela porta aberta eu ouço várias vozes que nunca chegam a formar uma palavra completa. Ás vezes me chamam. Alguns rostos duros aparecem de vez em quando. Sinto-me ser arrastado e revirado, muitas vezes, enquanto cada vez que a preguiça começa a ser transformada em desligamento total dos meus sentidos, sou chamado de volta a pensar. Penso em tudo a fazer e tudo não feito, todas as vezes esses ciclos se fecham assim, o feito e o não feito, tudo que não foi feito era o que deveria ter sido feito no ciclo anterior.
Esses bracinhos finos me seguram sem força e me deixam cair toda hora. Às vezes eu os seguro com uma esperança de fim de vida na beira do abismo tão grande, mas mesmo assim eles escapam por que eu sou muito fino, eu sou como areia, é muito fácil me deixar escapar, mas também, não seja como vento para mim, assim você me espalha.



Quando finalmente vejo a porta de chegada, para eu passar por ela e cair pesado de novo, o peso é tanto, que não chego a ela.
Ninguém me chama do outro lado, nem aqui onde estou ninguém me vê. Não penso que sou invisível, penso que não sou importante. Ou pedras ou pessoas, algo está aqui sobre mim, por que não me levanto. Não adianta, não tenho forças.Além de ter esquecido como se volta, já não sei para onde vim e meus ossos quebradiços mas sempre inteiros agora pesam tanto e se derretem, que não sou um só, suficiente para decidir voltar, mas sou uma poça viscosa que não reencontra sua forma. Depois que eu passar por tudo isso talvez eu consiga saber como resolver o caso e finalmente me levante. Quando vejo, acordei. Mas não totalmente pois daqui eu vejo um pouco daí e vice versa. Não descobri ainda de que lado estou. Passam minutos e já sei, estou no mesmo lugar em que sempre estive, aquele onde não sei se sou consciente ou inconsciente, se durmo, ou se estou acordado. Acordei.









Da ilha entre ruas, onde o sol brilha gentil e não vejo sombra de ninguém eu caminho sem direção pelas calçadas frescas, muros brancos dos cemitérios, pedintes na janelas dos carros e folhas de árvores que quase passam pela minha testa.
Procurando a via de saída, entrando por um corredor estreito eu chego ao fundo de uma casa, que é um salão, que é uma sacada.
De lá, um mar imenso, verde-claro cobre um país que já não existe mais e a única via de saída é uma ponte, que começa na água e termina na água.
Os que se abrigaram sob um teto de vidro no fundo do mar, calmamente se retiram, tomando seu caminho, pela ponte sobrevivente, para retornarem à água. Eu pergunto como saio dali e não me respondem.
Eu pergunto se aquilo é uma estrada e continuo na dúvida. Eu pergunto se volta para onde comecei e continuo com a escolha nas minhas mãos.
Decido voltar e após as mães passarem por mim com suas crianças deformadas eu acordo, prevendo um futuro próximo e pensando por que eu não saí dali. O mar não sai da minha cabeça. Acordei e sonhei o dia todo que estava sonhando ainda.












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