domingo, 15 de março de 2015

#secretsadness






01. Saint Provocateur
02. #secretsadness












Tenho dormido mais, para sonhar que viver não é um sonho ruim.


Tenho sonhado com tantas pessoas, todas elas passam por mim e me cercam
Tantas me falam tantas coisas, me incomodo pela falta de atenção e pelo excesso.
Sinto que os sonhos todos já se confundiram tanto
que da próxima vez que eu acordar, morrerei.
Tenho me deitado para ver se durmo, mas me parece que dormi para ver se levantava.
Já vi os discos voadores, já vi as almas, já senti os arrepios
já ouvi os chamados, falsos e verdadeiros.
Quero agora tentar contar meus sonhos, mas quando vou contar, todos dormem.
Não existe vez e não existe chance,
não tem mais aquela coisa da tentativa, se foi, já foi, se não foi
não será mais.
Não tem mais relógio marcando para mim também.
Eu vou fingir que não tenho notado todas essas coisas e vou continuar aqui
não sei se dormindo ou já acordado, mas de qualquer forma este sonho não está bom.
Me diziam que não se deve contar os sonhos antes do café da manhã, que eles acontecem.




Nos fundos do meu porão eu guardo tudo que eu não sei que existe.
Lá eu guardo tudo aquilo que eu não sei se vou precisar.
Lá eu guardo você.
No meu porão, acumulo.
Há alguns anos descobri que alguém andou colocando umas coisas lá, por que, juro, não fui em quem guardou aquilo.
Desde então, tenho tentado me perder em uma grande arrumação.
Não tenho mais tentando me achar, tenho tentado me perder mesmo.
Eu inventei diversas maneiras de permitir que aquilo tudo desaparecesse sozinho.
Até cometi o erro de achar que alguém me ajudaria a tirar tudo aquilo de lá.
Depois, por um tempo, fingi que nem existia aquela coisa toda.
Hoje eu aceitei tudo aquilo. É tudo meu.
Uso, espero, permito sentir sua presença.
Ás vezes sei que se escondem de mim. Todas aquelas coisas.
Há uma grande utilidade em tudo aquilo que está lá naquela sala.
É uma sala obscura, dizem.
É uma sala misteriosa, dizem.
Não sei se é misteriosa, é tudo meu, não acho que vá me espantar com o que tem lá.
O engraçado é que por mais que eu não saiba qual o conteúdo do que realmente está lá dentro,
muitos que me conhecem se espantam o tempo todo com o que vem de lá.
Acho que tudo transparece em mim.



Meus sonhos não são tentativas inúteis de mascarar as demandas mais primitivas e perversas da minha mente.
Minha mente, no caso, sou eu mesmo, eu que escrevo, eu que falo, eu que falho.
Meu ato falho é acordar todos os dias e viver, sendo que estava muito mais interessante na cena que eu criei enquanto dormia. Daí, acordado, me refugio nas memórias trancafiadas abafadas que me foram implantadas.
Desço níveis, desço às camadas profundas da minha origem para encontrar um resto.
Uso dos meus restos para me mostrar.
Faço contatos imediatos e exponho meu pior, enquanto que meu melhor, eu procuro trancar para que ninguém o roube mais. Tudo de meu pior me é muito caro.
Continuo descendo níveis, até o ponto em que me torno um incômodo.
Falo de tudo que do fundo da minha alma cheira a podre e saio em colheita da podridão alheia, que em análise e comparação e igual á minha.
Tentei parar e tentei piorar.
Não consegui nem coisa nem outra, mas não ligo.
Não me cobro mais.
Não me cobro, por quê não tenho como me pagar.
 Saint provocateur
Iluminei meu inconsciente com uma lanterna de olhos acesos que de tão claros por fora escureciam por dentro. Chorei com estes mesmos olhos, a lágrima pingou no chão, secou lentamente enquanto a lanterna apagou, o olho piscou e eu já não conseguia enxergar mais a camada mais profunda do meu pensamento que eu tinha visto rapidamente quando o olho acendeu como lanterna e iluminou para mim e não vi nenhuma lágrima.
Chorei mais ainda quando percebi que havia apagado meus olhos e já não tinha mais como enxergar nada e naquela escuridão, morrendo de medo, adormeci. Sonhei que tinha encontrado seus olhos e enquanto te procurava para entregá-los, perdi os meus. Perdi meus olhos nos seus de tão profunda que era a escuridão que eu via neles e sem medo, entrei. Entrei para procurar você, encontrei a mim, chorei e acordei. Levantei-me, não estava mais escuro, procurei um espelho, encontrei minha imagem, vi meus olhos, sem escuridão e sem medo, não precisei de lanterna, enxerguei tudo, mas não vi o que procurava inicialmente, que estava sob aquela camada de inconsciente onde me disseram que moram meus sonhos.
Eu não tenho os olhos de um tigre nem me sinto um campeão. Não tenho o peso necessário, não tenho a altura permitida. 
Meu rugido é muito baixo para ser ouvido.
Penso tanto em mim e não quero que pensem em mim, mas quero que não me esqueçam. Minhas medidas e características principais não serão anotadas. Peço para que não prestem atenção no que transparecem óbvio na minha cara, mas notem a sutileza do não que estampo nos olhos e termina mudo em cada frase minha. Tento não rugir, tento só gritar. 
Sonho com todas as vezes em que sou provocado e devolvo qualquer irritação com um grito bem forte que ninguém ouve por que é interno. Enquanto só eu mesmo ouço meus gritos, vocês gritam comigo como se eu tivesse culpa de querer ser alguém que talvez queira ser alguém.
#secretsadness
É uma tristeza que se torna um buraco.
É uma invisibilidade que o faz não ver-se mais e duvidar da sua existência.
É um desespero que parece ansiedade.

É o caminho sem volta.
É um medo de desistir.
Arrependimento de tudo que foi feito, de ter pensado em fazer e de quase ter feito.
Vontade de terminar o ciclo repentinamente sem avisar, surpreender a linha do tempo e dar um nó no destino falso criado sem querer em algum ponto do passado, que foi enraizado e agora ninguém arranca mais.
Sensação de frio. Solidão imbecil.

É ter muito pouco para oferecer e nada para receber.
É ter que se encaixar nas sobras e ciscar farelos. É ser como se é.
Pior verdade e maior mentira.
Sustos não acontecem mais.
Previsível foi a derrota, agora o silêncio é inevitável.
Há uma luz sobre minha cabeça.

Ela me vê, me acompanha, eu não a vejo.
Eu não a tenho dentro de mim. Eu não ilumino.
Eu sou triste.

Inconsciência não é escudo, ilusão não é espada.
Eu me defendo e eu ataco, eu não luto, estou reagindo involuntariamente.
 
 

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